Lisboa é uma cidade tão impessoal.
Levanto me de manhã para uma brisa nostálgica de dias de escola do outro lado da vila, até faço o mesmo percurso, mas detenho me na paragem dos autocarros enquanto caras recentes e mais familiares passam por mim para uma rotina que, para mim, acabou há cerca de 4 meses.
"Bom dia, um para Lisboa, se faz favor. Dois. Tá certo? Obrigada, bom dia."
Os solavancos do autocarro ajudam á soneira avassaladora que acaba por me vencer por breves momentos ao entrar na ponte. Saio e desço as escadas que me levam a uma memória recente de uma noite de concertos, amigos, desidratação e uma noite mal dormida no chão da estação de metro do Oriente.
"Ida e volta né? Ya, convém."
Sim, porque até aqui conto alguns encontrões e caras sisudas no meu breve caminho.
No metro, a mesma coisa. Que chatice ter de mudar de linha, tou sempre á espera do dia em que me engano e perco tempo a voltar para trás. E aquelas portas? Tá para vir o dia em que vejo alguém estrangulado naquela brutidade ou eu mesma sou o centro das atenções juntamente com aquelas portas do inferno.
Livros. Há imensa gente que trás livros. Absortas naS linhas e palavras, nem se apercebem que as observo. Algo me diz que o Código de daVinci é bom..
Acaba a travessia subterrânea.
"Queres café? Dois cafés e um copo de água se faz favor. Se vai para a esplanada são mais 5 cêntimos por cada café menina.. Oh. Está bem."
Farta de tar fechada já estou eu e ainda nem são 10 da manhã.
Feito o que vinhamos fazer a Lisboa, volto. Tomo o mesmo caminho, agora para trás, do outro lado da linha do metro, do outro lado da estrada na ponte, com mais gente ao meu lado, entre risos e ideias parvas de quem muda de sítio, muda de escola, muda de vida, mas nunca muda de energia nem de vivacidade.
E sabe bem um pouco de casa numa cidade tão impessoal.













Comments
mas a velha fica guardada no coracao.
tenho saudades tuas.
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dear heart.
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sou amêndoa amarga. com dois cubos de gelo e uma rodela de limão.
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the plan it wasn't much of a plan... i just start walking.
"Algo me diz que o Código de daVinci é bom.." - Tenho uma opinião semlhante. Adorei o q li nas critícas e uma "amiga" também me disse o mesmo.
Não sei pq mas adorei a penúltima frase.
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do you feel lucky, punk?
Podem haver tradiçoes, moedas em cada pais ou continente, mapas,ruas, monumentos diferentes, livros , montes de livros, e roupa e "estilos" e modas, e cores, e peles, e cheiros.
Milhares de pensamentos se espalham no decorrer de um minuto, de uma hora, de um dia...
Mas no fim do dia, todos nos sentimos aquele vazio de quem nao pertence a lugar nenhum.
Que nao é livre, porque nao pode fugir realmente, porque todas as zonas, todos os paises, sao mais uma "cela" de uma prisao mundial.
E sentimo-nos sozinhos,porque nas "Celas" onde nos deixam, nao querem saber dos nossos dados ou caracteristicas, porque no fim de contas , todos vamos morrer.
Somos, robôts com defeito porque precisamos de comer, dormir e exprimir sentimentos... e para alem disso, nao temos um disco rigido tao bom, e pior, nós nao nos podemos formatar... |: ...
este comentario nao tem nada a ver, eu sei.
Odeio Lisboa, e amo-a tambem.
Estarei doente por gostar da minha cela?
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~blackFaiRie
obrigada.
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sou amêndoa amarga. com dois cubos de gelo e uma rodela de limão.
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